Conta de água disparou sem ninguém em casa: o teste do hidrômetro antes de quebrar o piso

Ilustração de hidrômetro residencial, caixa d’água e vazamento em cano, sem pessoas reais

A conta de água veio alta e ninguém tomou banho extra. Antes de brigar com o hidrômetro da rua, faça o teste que as companhias de saneamento ensinam: se o medidor anda com tudo fechado, o vazamento provavelmente está na sua rede interna — do cavalete à caixa, ou da caixa aos banheiros.

Resposta objetiva: a SANASA (Campinas) descreve um teste simplificado (duas a três horas sem usar água, registro aberto) e um teste detalhado que separa o trecho de alta pressão (hidrômetro até a caixa) do trecho de baixa pressão (depois da caixa). Vazamento em válvula ou caixa de descarga é comum. Confirmado o vazamento, a própria SANASA pede reparo urgente por profissional capacitado.

O que o teste oficial tenta responder

Hidrômetro mede volume que passou pelo cavalete. Se ninguém está usando torneira e o relógio continua, água está saindo em algum ponto depois do medidor. A SANASA, na página “Teste de Vazamento” (consulta em 3 de setembro de 2026), divide assim:

Teste simplificado. Mantenha o registro aberto. Não use água no imóvel por no mínimo duas horas. Depois, veja se o medidor ainda registra passagem (movimento no indicador de fluxo). Se não houver movimento, a companhia considera que não há vazamento interno. Se houver, espere mais uma hora: a caixa pode ainda estar enchendo. Após três horas sem uso, se o medidor continua, há vazamento interno.

Teste detalhado, trecho de alta pressão (do hidrômetro até a caixa). Registro de entrada aberto. Prenda a boia da caixa na posição fechada. Feche torneiras, não use vasos, confira se nada pinga. Nessa condição o hidrômetro não deve registrar água. Se o indicador se move, o vazamento está nesse trecho.

Trecho de baixa pressão (depois da caixa). Nas mesmas condições, marque o nível da água no reservatório. Espere uma hora. Se o nível baixou, há vazamento em sanitários ou tubulações alimentadas pela caixa.

A SANASA ainda descreve o teste do vaso: com luvas, esvazie e seque o interior; não use por meia hora; se aparecer água, o vazamento é da válvula ou da caixa de descarga. A companhia recomenda reparo por empresas especializadas e profissionais capacitados, e avisa que acompanhar o consumo ajuda a pegar fatura alta cedo. Dúvida no modelo do hidrômetro: canais da própria SANASA (ouvidoria, agências, 0800 que a página lista).

Outras companhias municipais ensinam testes parecidos (hidrômetro parado com tudo fechado, nível da caixa). O procedimento da sua cidade pode ter detalhe próprio — peça o da concessionária local. Não trate o teste de Campinas como norma nacional, e sim como método oficial de uma autarquia, replicável com cuidado.

Passo a passo (sem quebrar piso no primeiro dia)

  1. Anote a leitura do hidrômetro e a data da conta alta. Compare com meses anteriores, se tiver a fatura.
  2. Faça o teste simplificado da SANASA: duas horas sem uso, depois três se o ponteiro andou.
  3. Se confirmou vazamento, faça o detalhado: isole a boia, separe alta e baixa pressão, teste o vaso seco.
  4. Olhe o visível: ladrão da caixa, boia presa, torneira pingando, vaso que enche sozinho. Muita conta alta nasce aí, não no cano enterrado.
  5. Não quebre piso para “achar o cano”. Confirmado o trecho, chame encanador. A SANASA diz que a localização exata pode exigir mão de obra especializada.
  6. Depois do reparo, a concessionária local pode ter processo de revisão de fatura por vazamento interno. Isso é regra da empresa e do município, não um direito federal descrito aqui. Pergunte no atendimento da sua conta, com o laudo do reparo.

Checklist

  • Ninguém usou água durante o teste (máquina, gelo, descarga, mangueira).
  • Boia da caixa realmente fechada no teste de alta pressão.
  • Você marcou nível da caixa no teste de baixa pressão.
  • Vaso sanitário foi testado seco, se a suspeita é descarga.
  • Se o imóvel é alugado: avise o locador por escrito. Rede interna e hidrômetro misturam dever do locatário (art. 23, VIII, água) com defeito anterior (art. 22, IV) e reparo urgente (art. 26). Não decida sozinho quem paga o cano.

Erros comuns

  • Trocar o “relógio” da rua na briga com a concessionária sem testar a casa.
  • Deixar a máquina de lavar programada durante o teste.
  • Ignorar o vaso que escorre. A SANASA chama esse ponto de muito comum.
  • Abrir o piso no primeiro dia. O teste detalhado só aponta o trecho.
  • Converter um furo de 2 mm em litros por conta própria. A página da SANASA usada aqui não traz esse tipo de tabela, e números soltos de campanha não dizem quanto vaza no seu cano.

O que evitar

Evite produto milagroso de vedação interna sem profissional. Evite secar hidrômetro com pano e achar que “parou”. Evite geofone caseiro: equipamento de caça-vazamento é de quem faz isso.

Quando procurar um profissional

Encanador, se o teste apontou trecho e você não vê o ponto. Caça-vazamento com equipamento, se o trecho é embutido. A concessionária, se o hidrômetro parece defeituoso mesmo com teste negativo (isso é hipótese, não diagnóstico). Eletricista se a umidade chegar perto de quadro ou tomada. Médico se alguém da casa tiver sintoma ligado a mofo por vazamento contínuo — outro tema, outro texto deste blog.

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Perguntas frequentes

O hidrômetro andando com tudo fechado é sempre vazamento?

No método da SANASA, depois de duas a três horas sem uso, movimento no indicador significa vazamento interno. Caixa ainda enchendo pode enganar na primeira hora: por isso o teste pede a espera extra.

A concessionária é obrigada a abater a conta?

Não está escrito na página do teste da SANASA como direito automático. Cada companhia tem rito de vazamento interno. Pergunte na sua. Não prometa desconto aqui.

Inquilino ou dono paga o conserto?

Depende de ser uso (art. 23) ou vício anterior / reparo urgente do locador (arts. 22 e 26 da Lei 8.245). Avise por escrito e registre. Advogado se houver disputa.

Posso só pintar a mancha no teto?

Não. Pintura esconde; o teste do hidrômetro é que mostra se a água continua saindo. Mancha de teto também pode ser infiltração de chuva, que é outro caminho.

Fontes consultadas

Texto informativo, atualizado em 28 de setembro de 2026. O teste descrito é o da SANASA; confirme o procedimento da concessionária da sua cidade. Não substitui encanador.

Para proprietários e corretores com imóvel à venda ou para alugar: o ImovFlow responde de madrugada, pelo WhatsApp, quem escaneia a placa. Instagram: @imovfloww.

Gianpaolo Matos edita o FarollBR, blog prático sobre imóveis e moradia no Brasil: aluguel, compra, documentação, reforma e manutenção do dia a dia. Textos educativos com fontes oficiais — não substituem advogado, engenheiro ou corretor.