Pediu Pix de reserva no WhatsApp? Como conferir o anúncio e o que o MED do Pix realmente faz se você já pagou
Alguém manda um anúncio no WhatsApp, marca visita, depois pede Pix de “reserva” para não perder o imóvel. Se você já pagou, a pergunta deixa de ser só “foi golpe?” e passa a ser: o que o banco realmente pode tentar devolver pelo Pix — e o que a lei do corretor exige antes de qualquer transferência.
Resposta objetiva: não pague sinal, caução nem “taxa de reserva” por Pix a um contato que você não conferiu. A Lei nº 6.530, de 12 de maio de 1978, reserva a intermediação de locação a corretor inscrito no CRECI (ou a pessoa jurídica inscrita). O Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix, descrito pelo Banco Central, não é chargeback de cartão: o banco do pagador pode abrir notificação de infração se a transação original tiver no máximo 80 dias; depois, se o banco do recebedor aceitar a notificação, o banco do pagador tem 72 horas para pedir a devolução. O MED não garante que o dinheiro volte se a conta do golpista já estiver vazia. Situação concreta pede boletim de ocorrência e, se houver disputa jurídica, advogado.
O que a lei do corretor exige (e o golpista costuma pular)
O art. 2º da Lei 6.530/1978 só permite o exercício da profissão de corretor a quem tenha o título de Técnico em Transações Imobiliárias. O art. 3º reserva ao corretor a intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis. Pessoa jurídica também pode, desde que inscrita e com sócio gerente ou diretor corretor inscrito (art. 6º).
Os conselhos federal e regionais fiscalizam a profissão (art. 5º). O art. 20 veda, entre outras condutas: anunciar publicamente proposta de transação sem autorização por escrito; fazer anúncio sem o número de inscrição; anunciar imóvel em condomínio ou loteamento sem o número de registro no Registro de Imóveis; negar recibo ou prestação de contas de valores e documentos recebidos.
Na prática: anúncio só no WhatsApp, “corretor substituto”, “matrícula sigilosa” e Pix para CPF de terceiro já destoam do que a lei pede. Matrícula não é documento secreto. O CNJ descreve o Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (SREI), instituído pelo Provimento nº 47/2015, com pedido de certidões, visualização eletrônica da matrícula e pesquisa de bens por CPF ou CNPJ.
O que o Banco Central diz sobre o MED (sem misturar prazo de blog)
No FAQ dos participantes do Pix, o Banco Central define o MED como o conjunto de regras e procedimentos para viabilizar a devolução de um Pix a partir do próprio participante recebedor: o banco do recebedor pode debitar recursos da conta do cliente sem pedir autorização a cada devolução. O mesmo texto deixa claro que o MED não é um mecanismo de chargeback como o de cartão.
Prazos que o FAQ oficial traz, na consulta de 2 de setembro de 2026:
- A transação original precisa ter no máximo 80 dias em relação ao dia em que o banco do pagador abre a notificação de infração associada a uma solicitação de devolução.
- Depois que essa notificação é concluída, se o banco do recebedor aceitou, o banco do pagador tem 72 horas para solicitar a devolução.
- Na abertura da notificação, o participante deve bloquear imediatamente os recursos na conta do recebedor, no que ainda estiver disponível.
- Há apenas uma solicitação de devolução para cada transação Pix.
Esses prazos correm entre bancos. Você não “abre o MED sozinho no app do golpista”. Você reclama no seu banco (canal oficial, de preferência por escrito), o mais rápido possível, para o participante avaliar e, se for o caso, acionar o fluxo. Material do BCB sobre o MED 2.0 trata de aprimoramento operacional para os participantes (rastreio e bloqueio em cadeia), com mudanças de mensageria a partir de 2 de fevereiro de 2026. Isso não transforma o MED em seguro de reembolso automático.
Passo a passo antes de qualquer Pix
- Peça o nome completo, CPF ou CNPJ e o número de inscrição no CRECI. Confira no site do Conselho Regional do estado em que o imóvel está.
- Peça o endereço completo e a matrícula (ou certidão de matrícula). Consulte o cartório ou o SREI da sua unidade da federação. “Matrícula sigilosa” não é argumento.
- Marque visita no imóvel. Quem recusa visita e cobra reserva no WhatsApp não está no fluxo normal de locação.
- Não pague sinal, caução, primeiro aluguel nem “taxa de análise” para chave Pix de pessoa física que não é o locador identificado no contrato.
- Anúncio precisa de autorização escrita e do número de inscrição, segundo o art. 20 da Lei 6.530. Guarde prints, mas não trate print como contrato.
- Contrato de locação é outra peça. Não assine PDF enviado só no chat sem conferir quem é o locador na matrícula.
Checklist se o Pix já saiu
- Abra o aplicativo do seu banco e registre a contestação de Pix / suspeita de golpe no mesmo dia, se possível. Anote protocolo.
- Não “complete” um segundo Pix porque alguém disse que assim “libera a devolução”.
- Registre boletim de ocorrência na Polícia Civil, com comprovante, chave Pix, prints e dados que tiver.
- Leve o número de inscrição (se houver) ao CRECI do estado: exercício irregular e anúncio sem inscrição são matéria de fiscalização profissional.
- Avise a plataforma do anúncio (portal ou rede) com o protocolo. Isso não substitui o banco.
- Se o valor for relevante ou houver recusa do banco em abrir o fluxo, fale com advogado.
Erros comuns
- Achar que “72 horas” é o prazo da vítima para clicar num botão. No FAQ do BCB, as 72 horas são do banco do pagador, depois da notificação aceita.
- Achar que o MED devolve sempre. Só devolve o que ainda puder ser bloqueado na conta do recebedor (e no fluxo que o banco aceitar).
- Pagar reserva para “segurar” o imóvel sem visita e sem matrícula.
- Confundir corretor inscrito com qualquer pessoa que manda foto de chave.
- Apagar a conversa. Guarde tudo.
O que evitar
Não ensine o golpe para “testar”. Não publique dados da vítima. Não pague “desbloqueio” a um segundo contato. Não use este artigo como manual de recuperação garantida.
Quando procurar um profissional
Banco e Polícia Civil entram na hora do Pix contestado. CRECI entra se houver exercício irregular da corretagem. Advogado entra se o banco recusar o fluxo, se o valor for alto ou se houver contrato assinado com terceiro de má-fé.
Veja também
Se quiser aprofundar, estes textos tratam de pontos vizinhos:
- Falso proprietário no aluguel
- Anúncio sem CRECI: o que checar
- Documentos que podem ser pedidos para alugar
Perguntas frequentes
Posso recuperar qualquer Pix de golpe?
Não. O MED é um fluxo entre participantes, com prazo de 80 dias para abrir a notificação a partir da transação original, e depende de haver saldo bloqueável. O BCB afirma que não é chargeback.
Como consultar o CRECI?
No Conselho Regional do estado. A inscrição é exigência da Lei 6.530. Sem número no anúncio, o art. 20 já aponta irregularidade.
Matrícula é sigilosa?
O CNJ descreve serviços eletrônicos de certidão e visualização de matrícula no SREI. Trate “documento secreto” como sinal de alerta, não como regra cartorária.
Vale visitar sem pagar?
Visita não exige Pix de reserva. Pagamento antecipado a desconhecido é o ponto frágil do golpe, não uma etapa obrigatória da locação.
Fontes consultadas
- Lei nº 6.530/1978 — https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6530.htm
- Banco Central, FAQ dos participantes do Pix (MED, prazos de 80 dias e 72 horas) — PDF no site do BCB
- Banco Central, materiais do MED 2.0 (circuito Pix; mudanças operacionais a partir de 2/2/2026) — PDF no site do BCB
- CNJ, Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (SREI) — https://www.cnj.jus.br/sistemas/srei-2/
Texto informativo, atualizado em 28 de setembro de 2026. Não substitui boletim de ocorrência nem orientação de advogado. O MED não garante devolução.
Para corretores que querem que o interessado chegue por um canal ligado à placa do imóvel: no ImovFlow, o QR exclusivo abre o WhatsApp e o atendimento funciona 24h. No Instagram: @imovfloww.


